segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Óculos existenciais: dê um novo colorido à sua vida!!

Gosto de pensar em óculos quando penso em percepção. Costumo fazer esta analogia quando converso com pacientes e alunos. É bom pensar em óculos porque eles podem ser de diferentes formas, cores, tamanhos, marcas... Eu poderia pensar em lentes ou mesmo em “cirurgia de correção de percepção existencial”?? Bom, não gosto de pensar em corrigir ninguém, mas as vezes a percepção de alguém está tão debilitada que devemos tentar ajudar esta pessoa a perceber mais próximo da realidade. Por favor, não entendam que existe uma única verdade em termos de percepção, existem várias...
Certa vez eu estava ministrando aula e apresentei um objeto aos alunos, uma cadeira, como a que eles estavam sentados. Pedi que me descrevessem o objeto. Obtive respostas diferentes de cada um, embora fossem sinônimos, eram palavras diferentes. Depois eu contei uma historinha, disse que aquela cadeira era herança que um tataravô havia deixado para ele (a), e que este tataravô já o amava, mesmo sem conhecê-lo (a) etc... Daí a descrição mudou completamente. Passou a ser carregada de emoção e sentimento...
Isso acontece conosco. Quando algo em nossa vida é carregado de emoção e sentimento a percepção muda. Podemos as vezes sobrevalorizar ou subvalorizar coisas ou pessoas de forma a distorcer a medida que nos permitia uma vivência saudável.
As vezes recebo no consultório pessoas que me descrevem suas vidas como um dia cinza, nublado, frio e, no entanto, insistem em usar um óculos de sol, que deixa a vida delas com um olhar mais sombrio... Daí apresento minha “caixinha de óculos”, ela experimenta alguns, relutante, pois mudar não é fácil! Usa por uns dias, quando gosta, os leva e passa a me trazer outros óculos, daí a própria pessoa começa a ir atrás de seus próprios óculos, é bem interessante.
Existem coisas que somente nós podemos fazer por nós, por mais que alguém queira nos ajudar, nos apoiar, somos nós os responsáveis pela nossa mudança, nossa melhora. Sei que existem fases da nossa vida em que tudo nos parece mais difícil, situações parecem ser forjadas, parece que de propósito contra nós, mas na verdade, estas mesmas situações que antes pareciam forjadas contra nós, podem estar muito a nosso favor, podem estar tentando nos ensinar algo de muito valor. Aqui a diferença é como as percebemos...
Aqui fica o convite: mude os teus óculos existenciais, se permita experimentar algo novo, melhor!!
Ah, e “chega de chorar as pitangas!” (RS), expressão que ouvi e não sei ainda a procedência, se alguém souber, me conte, quero mudar minha percepção...

Janaina Bahia - Psicóloga da Serena Psicologia com abordagem fenomenológica existencial. Professora da FATEDEB.

domingo, 10 de abril de 2011

Especialista acredita que bullying não é causa do massacre em escola do Rio

Boa tarde a todos!

Após esta violência na escola de Realengo, encontrei uma entrevista com um psicanalista no site da revista crescer.
Segue abaixo na íntegra.
Fonte:www.revistacrescer.globo.com

Especialista acredita que bullying não é causa do massacre em escola do Rio

Para o psicanalista Mario Corso, como a maioria das vítimas foram meninas, a intenção do criminoso não era atacar os valentões


Bruna Menegueço


 Shutterstock

Autor do massacre na escolaTasso da Silveira, que terminou com a morte de 12 adolescentes, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (7), teria sofrido bullying (atos de violência física ou psíquica), segundo colegas.Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que cometeu o suicídio depois de trocar tiros com a polícia, sofria calado com as provocações dos colegas. Mas para Mario Corso, psicanalista, membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre) e autor dos livros Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, ePsicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010 (ambos pela Ed. Artmed), escritos em parceria com sua esposa Diana Corso, essa teoria não tem fundamento. Segundo o especialista, como a maioria das vítimas foram meninas, a intenção do criminoso não era atacar os valentões. Ele explica mais na entrevista a seguir.


CRESCER: Especula-se que Wellington tenha sido vítima de bullying naquele local por isso voltar para a escola para vingar-se? O que o senhor pensa disso?
MÁRIO CORSO: Para mim, isso é uma tese furada. As coisas nos levam a pensar por outro lado. Se ele sofresse bullying, por que iria matar meninas, e não os “valentões”? Na minha opinião, o assassinato de mulheres é uma afirmação viril. Pensando no simbolismo de Simone de Beauvoir, em seu livro O Segundo Sexo, a mulher está ligada ao nascimento porque dá à luz e o homem, como guerreiro, à morte. Wellington quis morrer como homem e encontrou o jeito mais absurdo de “penetrar” essas meninas.

C: A escola poderia ter evitado essa tragédia de alguma forma?
M.C.: Não, de jeito nenhum. Esses ataques psicóticos são casos isolados e o principal problema aqui no Brasil é o acesso fácil às armas. Em uma sociedade desarmada, ele provavelmente teria feito menos estrago, se estivesse usando apenas um canivete, por exemplo.

C: O que os pais têm de fazer se o filho for vítima ou autor de bullying?
M.C.:
Os pais não devem correr atrás de uma coisa que já aconteceu, eles devem estar conectados com seu filho sempre. Cumplicidade com uma criança não se constrói aos 10 ou aos 15 anos, se constrói desde o nascimento ao descer para chutar bola com o filho no prédio. São pequenas atitudes de confiança. Um pouco de sofrimento é inevitável para o crescimento, mas a criança que sofre bullying demonstra sinais. Ela emudece, muda os hábitos, o jeito de se vestir...

C: Existe uma polêmica sobre a obrigatoriedade de um psicólogo dentro de uma escola. O que você pensa sobre isso?
M.C.: Eu acho uma ótima ideia. Se tem alguém ali na escola circulando com o olhar mais atento vai detectar alguns casos como esse. Não todos, mas vai minimizar. Se existir uma política de buscar esses movimentos, detectar e cuidar, eles vão diminuir. Aliás, quanto mais adultos responsáveis dentro da escola, melhor.

C: Se fosse em uma escola particular, teria sido diferente?
M.C.:
Não, também é possível entrar em uma escola particular. Fazer ou sofrer bullying não tem classe social.



sexta-feira, 18 de março de 2011

Sucesso Profissional: Um Passo da Felicidade


A vida profissional é um braço muito importante para a sanidade mental. Isto por que passamos a maior parte de nosso dia e de nossas vidas no trabalho. Assim, um ambiente agradável e uma tarefa prazerosa são pontos chaves para o sucesso.

Mas, o que é pra você sucesso profissional?

Aqui vou receber várias respostas: desde que é ganhar dinheiro, ter reconhecimento, status, fazer o que gosta, etc.

Para a literatura, sucesso profissional atinge três grandes áreas: competências ( o que eu sei fazer), personalidade ( o que gosto de fazer) e mercado de trabalho ( o que o mercado compra). As pessoas que encontram o sucesso profissional mais rápido são aquelas que conseguem fazer uma intercessão destas três áreas.

Por exemplo, Maria é professora, adora crianças pequenas e tem habilidade para lidar com manha, birra e mimo. È provável que ela se torne uma excelente professora de maternal e que consiga reconhecimento em sua área. Quando fazemos o que gostamos, o trabalho fica leve e os resultados são bons. Desta maneira, é muito importante que procuremos fazer o que realmente gostamos e temos competência.

Você já fez o seu planejamento de carreira?

Pensando no que foi exposto acima é imprescindível pensar em sua carreira a curto (3 anos), médio (5 anos) e longo prazo (10 anos). Caso contrário, você corre o risco de chegar na sua velhice fazendo o que nunca gostou e ao invés de sucesso terás um tormento profissional.

Daí, vamos analisar o caso de concurso público. Não que eu seja contra procurar a estabilidade financeira, mas penso ser de enorme importância encontrar uma função que se adapte as suas necessidades. Infelizmente, recebo em consultório muitas pessoas infelizes, deprimidas, ansiosas que passaram num concurso com perfil completamente diferente delas. Daí, entram num círculo vicioso de dinheiro versus insatisfação e não conseguem se realizar profissionalmente. Neste caso, um hobby ou uma atividade paralela é a busca para o equilíbrio mental.

Por fim, pensamos em algumas pessoas que fizeram sucesso em áreas completamente diferentes... será que elas gostam do que fazem? Enfim, para ser feliz profissionalmente é preciso também não ter medo.

Luciana Brasil - Psicóloga da Serena Psicologia com formação em Analise do Comportamento, especialista em Teoria Cognitivo-Comportamental e atualmente aluna da FMUSP/HC – Transtornos Alimentares

domingo, 13 de março de 2011

Administração de Tempo: Como Ajudar as Nossas Crianças


Administrar tempo é uma demanda que aparece muito em consultório e pode trazer quadros de ansiedade e estresse quando mal organizado. Mas, percebemos que esta problemática foi aprendida, às vezes, imitada e consolidada ao longo da vida. Assim, sugiro as seguintes dicas para os “nossos baixinhos” não apresentarem tal dificuldade no futuro. Vamos lá!

  1. Dê o exemplo: Não adianta reclamar com a criança que ela é desorganizada se você, pai, chega aos compromissos após o horário combinado, atrasa pra pega-la ou busca-la na escola.

  1. Cobre responsabilidade: Evite a superproteção e responsabilize a criança por falhas na organização de seus afazeres. Nada de deixar faltar aula por que não fez a pesquisa ou deixar fazer segunda chamada da prova por que não conseguiu estudar. Ela precisa ser responsável pelos seus atos.

  1. Crie rotinas: Crie pequenas rotinas para a criança. Arrumar a mochila e uniforme na noite anterior, fazer a cama e dobrar o pijama antes de ir à escola são alguns exemplos de rotinas necessárias para a administração do tempo.

  1. Escolha as prioridades: A criança pode apresentar dificuldade em decidir o que é mais importante e acabar fazendo o que gosta mais em primeiro lugar. Assim, você pode ajudá-la com a decisão do que é mais urgente em sua lista de atividades.

Por fim, esta habilidade é extremamente importante para a vida adulta e relaciona-se com outras esferas da vida: vida financeira, alimentação, saúde mental. Dar responsabilidade e ir monitorando ao longe é a melhor posição.

Outra coisa: tem adulto que não consegue administrar tempo por que coloca nas 24h do dia muito mais atividades que este tempo comporta. Assim, devemos ter cuidado com o estresse que as crianças com milhões de atividades (natação, balé, inglês, psicólogo, fonoaudiólogo, etc) podem apresentar.

Um abraço e boa semana!

Luciana Brasil - Psicóloga da Serena Psicologia com formação em Analise do Comportamento, especialista em Teoria Cognitivo-Comportamental e atualmente aluna da FMUSP/HC – Transtornos Alimentares.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Luto: Como Vivenciá-lo de Forma Saudável


Todo mundo, infelizmente e felizmente, irá passar por um momento de luto. O luto a que me refiro é o conjunto de mobilização psíquica após a perda de algo valorizado por nós. Pode ser a perda de um ente querido, mas pode ser também um divórcio, uma demissão, enfim, perdas... E temos que estar preparados para enfrentarmos a dor e a frustração.

As pessoas reagem de forma diferente: umas são rápidas na construção desta nova etapa de vida e outras mais lentas. Não tem certo nem errado, cada um é cada um. Sugiro, no entanto, que se este momento estiver passando dos seis meses com muito choro e dificuldades em fazer coisas do dia a dia, procure um especialista para te avaliar.

Nesta nova etapa teremos que fazer coisas de maneira solitária que fazíamos juntos ou encarar algumas coisas que nunca tínhamos feito por que era realizado pelo outro. Assim, criamos novas habilidades.

A Tanatologia - ciência que se ocupa da morte e dos problemas com ela relacionados (palavra de origem grega: Tanathos - o deus da morte e Logia – ciência) – descreve quatro fases do luto:

1. Negação: Como o próprio nome diz, nega-se o ocorrido. È a fase do choque, não acreditamos, achamos que pode ser revertido a qualquer momento.

2. Raiva: Aqui achamos que todos tiveram culpa com a perda: médicos ruins, enfermeiras ineficientes, etc. E o enlutado sente raiva de todos!

3. Depressão: é quando começamos a entrar em contato com a perda e sofremos muito. Pensamos na perda no chuveiro, no trabalho, o tempo todo...

4. Aceitação: esta é a última fase em que reconstruímos a nova vida sem o objeto perdido. Na verdade, arregaçamos a manga e encaramos os novos obstáculos.

È importante entender as fases que o enlutado vai passar para que reconheçamos as reações emocionais de cada momento.

Acho que é isso! Abraços!

Luciana Brasil Psicóloga da Serena Psicologia com formação em Analise do Comportamento, especialista em Teoria Cognitivo-Comportamental e atualmente aluna da pós-graduação FMUSP/HC – Transtornos Alimentares.

terça-feira, 8 de março de 2011

Emagrecer: Um desafio Terapêutico

Muitas pessoas procuram o consultório com o objetivo de ajudar no controle da dieta.

Estudando um pouquinho encontrei que a palavra dieta vem do grego e significa “hábito de vida”, ou seja, exercícios físicos, alimentação balanceada, pouco estresse.

Assim, as pessoas procuram ajuda terapêutica para equilibrar estes fatores em suas vidas. Fácil, não?

Não tão fácil... Infelizmente, existe a alimentação emocional que é aquela que quando temos uma perda ou uma dificuldade comemos. E é comum percebemos o aumento de peso após eventos com alto grau de estresse: divórcios, perda de ente querido, assaltos, etc...

Por outro lado, a Teoria Cognitiva-Comportamental nos explica que é preciso ter auto-controle para sermos magros. Assim, devemos deixar de lado um reforço rápido mais imediato – um brigadeiro na festa – em prol de um reforço a longo prazo mais maior – ficar linda num biquíni! Percebemos ainda, que pessoas que tem auto-controle financeiro é mais fácil de emagrecer, pois já tem a habilidade em outra esfera da vida.

Algumas dicas são bem interessantes para tratarmos desta comilança:

  1. Perceber os gatilhos que disparam a vontade de comer (não é fome!!!)
  2. Evitar pizzarias, docerias, festas até adquirir um auto-controle razoável. (É semelhante ao dependente químico ir na rave, ou o comprador compulsivo ir ao shopping). Respeite as suas limitações!!!
  3. Organizar sua dieta e fazer o controle da ingesta com anotações DIÁRIAS.
  4. Aumentar a quantidade de exercícios físicos
  5. Encarar as pequenas perdas de peso como vitórias.
  6. Ser menos rígido com a dieta: se comeu feijoada no almoço, não desanime e recomece com o programado no jantar. Não termine com tudo.

Espero ter clareado um pouco. Por hoje é só!!!

Abraços,

Luciana Brasil

Psicóloga da Serena Psicologia com formação em Analise do Comportamento, especialista em Teoria Cognitivo-comportamental e atualmente aluna da FMUSP/HC – Transtornos Alimentares.

domingo, 21 de novembro de 2010

“Meu quartinho escuro e bagunçado”


O uso de metáforas é comum pelos pacientes em processo de psicoterapia. Sabe-se que não é sempre possível colocar em palavras o que está no âmbito do sentimento, da emoção, do coração... A metáfora permite que o paciente simbolize o que está no âmbito do vivido e que o terapeuta se aproxime do fenômeno relatado.

A psicoterapia pode ser descrita de diversas maneiras. Recentemente ouvi uma metáfora de uma paciente que considerei bastante pertinente quanto a este tipo de tratamento.

Ela disse sentir como se fosse uma casa que tivesse várias salas ou quartos e que a terapia a permitia passear nesses lugares. Nesta casa, relatou a paciente, havia um quartinho fechado e escuro em que ela se permitia adentrar na terapia e lançar luz nele aos poucos. Esse quarto era repleto de coisas bagunçadas e ela sentia que aos poucos estava colocando-as no lugar. Um sentimento de estranhamento e de medo eram relatados durante o processo de arrumação do quarto. Interessante constatar que após algumas sessões ela conseguiu fazer uma escolha muito importante, que mudaria toda a sua vida.

Um dicionário online definiu metáfora da seguinte forma: “Tropo em que a significação natural de uma palavra é substituída por outra, só aplicável por comparação subentendida” (Dicionário Priberam da língua portuguesa).

Vejamos alguns exemplos:

“Estou sem chão”

“meu relacionamento ta uma merd....”

“Pareço um tapete”

“minha vontade é de voar”

“sinto-me um balão”

“preciso mudar da água para o vinho”

“chorei um rio de lágrimas”

Vejamos outro conceito possível: “Metáfora é uma figura de estilo que consiste na comparação de dois termos sem o uso de um conectivo” (Wikipédia – a enciclopédia livre). No caso da psicoterapia a comparação quase sempre é de si com algo, ou de um sentimento ou situação em que o paciente está implicado sendo comparado com algo.

Percebe-se que a criatividade no uso de metáforas é uma forma de dar côr à dor do paciente e ajuda o terapeuta a compreender melhor esta dor.

Sabe-se que as palavras são importantes, mas nem sempre suficientes para a expressão do sofrimento. Estejamos atentos, até mesmo no nosso dia-a-dia ao que está nas entrelinhas das falas da pessoas, pois isso pode nos ajudar a manter melhor nossos relacionamentos por nos oferecer oportunidade de nos aproximar do outro, compreendê-lo e até mesmo amenizar a dor existencial, pois para doer o coração, basta existir!

Todos nós temos um quarto escuro sobre o qual é necessário lançar luz. Só assim é possível o auto-conhecimento. Porém, é necessário mais do que lançar luz, é necessário ser corajoso o bastante para começar a mudar as coisas de lugar. De nada adiantaria apenas olhar e perceber a bagunça, é preciso isto ser acompanhado de ações. Algumas escolhas permitem esta mudança e a psicoterapia não é o único caminho, mas é um dos possíveis para a transformação.

Janaina Bahia – Psicóloga - Serena Psicologia; professora de Psicologia da religião e aconselhamento cristão da faculdade de teologia FATADEB.

domingo, 24 de outubro de 2010

Administração de Tempo


Uma grande angústia do ser humano é a maneira de administrar corretamente o tempo. Isto por que a cada dia, se você for como eu, quer colocar uma atividade atrás da outra. Só que o dia tem apenas 24h! E a maioria das pessoas precisa dormir 8h e ainda temos os grandes desperdiçadores de tempo.

E aí? Como fazer?

Tenho algumas dicas:

  1. Tenha metas: priorize o que quer. E escolha no máximo três metas, isto para que você consiga vencê-las. Esqueça aquelas longas listas de fim de ano.
  2. Diferencie URGENTE de IMPORTANTE. Importante é aquilo que você precisa fazer para sexta-feira (por exemplo) e urgente é para amanhã pela manhã. As pessoas que administram mal o tempo deixam as coisas importantes virarem sempre urgentes.
  3. Coloque na sua conta de tempo os imprevistos. Assim, você evita chegar atrasado ou esbaforido...
  4. Organize o seu tempo de forma que algumas atividades terão sempre um horário: hora da malhação, hora de responder e-mails, a hora de descansar.
  5. Aprenda a dizer não e delegue ações. Senão você corre o risco de abraçar o mundo com as pernas...

Por fim, respire profundamente várias vezes ao dia – para diminuir a ansiedade. Seja flexível com a vida, deu deu, não deu, não deu...E se possível exercite-se, procure um hobby e consiga organizar o seu dia de forma que ele fique prazeroso e leve. Administração de tempo tem muito a ver com a sanidade mental. E mais uma dica: na hora das refeições desligue o seu celular!

No próximo post, vou falar sobre administração de tempo para crianças...Aguardem!!!

Um forte abraço a todos!

Luciana Brasil – Psicóloga Clínica com Especialização em Teoria Cognitivo-Comportamental

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Diagnóstico de Internet:

No consultório recebemos alguns pacientes com o diagnóstico realizado por eles mesmos... Isto por que aliando descrições, comportamentos, sintomas e o largo uso da internet, eles chegam a um rótulo final para o problema.

E aí por que procurar um especialista então?

Coloco aqui a importância de um profissional para fechar o diagnóstico “médico”, aquele ligado ao número do CID. Quando o paciente chega com este número concluído pode até dificultar o diagnóstico profissional, além de se sugestionar com algum sintoma.

(Vou contar uma coisa... se abrirmos o DSM IV – vamos achar que temos todas as doenças mentais...rs)

Mas, em saúde mental, o diagnóstico ambiental é muito importante.

O que significa isto?

Precisamos fazer intervenções no que está mantendo o comportamento inadequado. O cid ou o rótulo que a criança tem um Distúrbio Desafiador Opositivo – cid F91.3 serve apenas para guiar os profissionais da área médica. O que mantém esta criança burlando regras? Os pais são presentes e coerentes na educação? O que acontece quando ele desobedece? È preciso fazer uma análise funcional do comportamento para podermos orientar esta família e para que o comportamento desviante entre em extinção.

Assim, cada paciente é um ser diferente com sua história de vida, privações e reforçamento. Dois irmãos tiveram a mesma educação, mas são pessoas completamente diferentes no seu modo de pensar e de agir perante a vida. Isto por que cada um responde ao mesmo estímulo de forma diferente.

Outra coisa: sintoma é diferente de Síndrome. Estes dias, uma paciente minha disse que tinha TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Perguntei o porquê e ela me respondeu que gostava das coisas alinhadas, arrumadas e no lugar. Perguntei se isto incomodava e a atrapalhava no seu dia a dia (fator imprescindível para o fechamento do rótulo), ela disse que não.

E aí penso num caso que atendi: a senhora de meia idade usava fraldas para não ir ao banheiro público. Ia ao trabalho de fraldas, festas de fraldas e ali fazia as necessidades, sem utilizar o banheiro de “lugares estranhos”. Esta sim, era portadora de TOC. Imagina o dia a dia desta pessoa, como a doença atrapalhava o seu cotidiano.

Na minha forma de atuação, trabalho muito com psico-educação. Após algumas consultas de avaliação, mostro ao paciente e familiares o que está acontecendo com ele. E, inevitalmente, vou descrever o quadro de acordo com o CID. È importante salientar que o paciente e a família devem conhecer os sintomas, entender a doença para conseguir prever uma recaída, por exemplo. Afinal, na psicoterapia é imprescindível que o paciente reconheça o que sente e o que pensa.

Por fim, temos que usar a internet como aliada e não como o profissional. Após uma consulta, é saudável olhar o que está acontecendo... Mas, cuidado com os sites! Prefira os sites ligados a universidades. Esta é a dica!

Bom feriado para vocês!

Um forte abraço,

Luciana Brasil

Psicóloga com formação em Análise do Comportamento e Especialização em Teoria Cognitivo-Comportamental

sábado, 9 de outubro de 2010

Consumismo: um novo valor em nossa sociedade?


Hoje estava pensando sobre o consumismo em nossas vidas. E percebo que a cada dia, se não tomarmos cuidado, ele toma conta da nossa vida, do nosso dia-a-dia, do nosso tempo livre. Quando eu era criança ganhava brinquedo apenas nas datas comemorativas, a minha filha tem uma eternidade de bonecas Barbie... O custo ficou mais barato. Mas, temos que comprar mais e mais para sermos “aceitos” numa sociedade ou numa classe social.

Brasília possui um nível econômico altíssimo comparado a outras cidades do país, mas possui também o maior endividamento nacional. Aqui todo mundo tem um empréstimo, está no cheque especial, etc...

Mas, o que ta acontecendo com as pessoas?

Tenho algumas hipóteses:

  1. A auto-estima está muito ligado com o “outro-estima”. Precisamos ter as coisas da moda, o carro do ano, para nos sentirmos bem. Cadê os valores?

  1. O auto-controle, característica importante para quadros de dependência química, obesos, está comprometido em compradores compulsivos. Eu quero o imediato, não quero esperar um pouquinho...

  1. As relações interpessoais estão muito relacionadas ao ter e não ao ser.

Há um tempo atrás vi uma notícia do Instituto Akatu (www.akatu.org.br) que falava sobre dar um celular ao seu filho com 4 anos corresponde a um imóvel aos 18 anos. Qual conceito queremos passar para estas crianças?

Por fim, coloco a importância de pensarmos e refletirmos antes de comprar para evitar que um carro vire um armário cheio de roupas e sapatos...rs

Um forte abraço,

Luciana Brasil – Psicóloga Clínica com Especialização em Teoria Cognitivo-Comportamental

Para ler mais:

  1. Consumo consciente emagrece em:

http://www.akatu.org.br/central/especiais/2010/consumo-consciente-emagrece

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dicas de como melhorar a memória

Como havia prometido, vou falar um pouquinho de como podemos melhorar continuamente a nossa capacidade de memorizar.

Primeiramente, vamos a técnica do uso e desuso. Se não utilizamos pra que o organismo deixar funcionando tinindo... Por exemplo, quando você quebra um membro e este fica imobilizado com gesso alguns dias, não tem que fazer fisioterapia? Por que você deixou de usar...

Assim, quando não era costume – nem existia – o tal do celular, sabíamos os números de telefones de muitas pessoas. Hoje caso perdemos o aparelhinho, perdemos a nossa vida... Isto é uma muleta.

Muleta mnemônica é aquele instrumento que te ajuda a lembrar. E aí temos as boas e as más muletas: as boas são aquelas que realmente ajudam no cotidiano e que seria impossível guardar e as más são aquelas que atrofiam a nossa capacidade de reter e armazenar as informações.

Para refletir:

  1. Você sabe todas as senhas dos cartões? Se tiver muitos, pode ser uma boa muleta, mas do contrário...
  2. Você precisa anotar os itens que vai comprar na mercearia, mesmo quando são menos de dez? Muleta do MAU...

Até por que ficaríamos loucos se lembrássemos de tudo... Imagina, lembrar de todos os comerciais de televisão que assistimos, lembrar da placa do seu primeiro carro, do número do primeiro telefone, de quantas vezes o seu telefone tocou, enfim... A memória perde de 90% a 95% da informação que é recebida a cada dia, pois ela não vai guardar o que inútil para você. Não vai gastar espaço com bobagens.

Daí, percebemos que a memória está ligada com emoção, pois guardamos o que é importante para nós. (esquecemos as datas de aniversário de namoro, isto é assunto para um outro post sobre a diferença entre homens e mulheres...rs)

Algumas dicas são bem legais para aguçar a memória:

- Veja um filme ou leia um livro e tente conta-lo várias vezes (para pessoas diferentes...rs);

- Tente associar o rosto da pessoa com o nome desta. Por exemplo, tenho uma amiga que tem o sobrenome Perdigão. Eu sempre brinco que ela não é a Sadia..rs (meio bobo, mas funciona);

- Colecionar coisas é um ótimo passatempo para ativar a memória. Isto por que você organiza, lê sobre o assunto..etc

- Fazer diário é excelente para a memória recente. Saber o que fez no dia. Você lembra o que comeu ontem? Com que roupa foi trabalhar?

- os famosos sudoku, palavras cruzadas, jogo dos sete erros, xadrez, memória também são bastante úteis para este fim;

- por fim, repetição: quem está estudando para concurso vale aquele velho ditado “ água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” Os publicitários sabem muito bem disso. Os slogans passam tantas vezes que guardamos rapidamente. Quem não sabe o que é VIVER SEM FRONTEIRAS ou UMA BOA IDÉIA ou È IMPOSSÌVEL COMER UM SÓ.

Acho que é isso!

Um abraço a todos!

Luciana Brasil

Psicóloga Clínica com Especialização em Terapia Cognitiva Comportamental.

Memória e Esquecimento:

Uma queixa comum no consultório é a dificuldade de memória. E dentre os mais queixosos, estão sem dúvida, os deprimidos e os ansiosos. Isto por que estes quadros alteram em muito a capacidade de concentração.

Mas, o que é a Memória?

Memória é a capacidade mental de reter, recuperar, armazenar e evocar informações disponíveis. Assim, é a base de todo o Saber.

E a memória tem algumas regrinhas:

1. A memória está ligada a uma alimentação saudável: afinal, um estilo de vida saudável é fundamental para um bom funcionamento do cérebro. Por isso, procurem ter uma alimentação balanceada.

2. A memória é relacionada com sono regular e de boa qualidade: isto por que o sono é indispensável para a restauração do bem-estar físico e psicológico. È por isso, que dormimos cerca de um terço de nossas vidas.

3. Memória, Estresse e Ansiedade: as emoções podem causar interferências e tensão nervosa e determinar os “brancos”, os bloqueios de memória. Aqui posso citar os famosos brancos de provas de concurso ou o esquecimento do nome do chefe. Tudo por conta da pressão... do nervosismo. Assim, relaxar, respirar com o diafragma (profundamente e de forma vagarosa) é uma boa opção nestas horas.

4. Memória e Atenção: dois mecanismos interligados

Atenção vem do latim Pad tendere = estender para que significa mobilizar todos os seus sentidos para apreender ou tomar posse do ambiente. Se não estamos atentos, então como vamos guardar as informações?

Lembro-me de uma paciente que ficou horas procurando o carro num estacionamento de Shopping em volta de intermináveis GX lances de garagem. E chegou ao consultório queixando-se da memória, mas isto é atenção. Ela simplesmente não prestou atenção ao sair do carro.

Quer uma dica? Sempre anote no canhoto do estacionamento o número e a letra que está parando, como L3. Foque e não esqueça!

Assim, antes de falar que está com uma memória muito ruim ou quase um portador de Alzhemeir observe os seus hábitos de vida. Sanidade mental tem muito a ver com boa memória.

No próximo post, irei dar algumas dicas para ativarmos a nossa memória.

Um forte abraço a todos!

Luciana Brasil

Psicóloga Clínica da Serena Psicologia e Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

Pedido de Desculpas e Reativação do Blog:


Boa Noite!

Primeiramente peço desculpas a todos que tem acompanhado o blog pelo afastamento de novos posts.

Na verdade, gosto muito de escrever, mas confesso que não tenho administrado o meu tempo da melhor forma.

Daí, reinauguro o blog com um tema que gosto muito: Memória!

Boa leitura a todos!

E obrigada pelo carinho imenso que tenho recebido!

Luciana Brasil

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PolíticasFeministas

Pessoal, esse é um ótimo texto. Divirtam-se!!!

Abç,
Sofia Lisboa


PolíticasFeministas-BellHooks
POLÍTICAS FEMINISTAS* sexismo (cs) [De sex(i)- + -ismo.] Substantivo masculino. 1.Atitude discriminatória em relação ao sexo oposto.
Posto de maneira simples, feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, a exploração e a opressão sexistas. Esta foi a definição que ofereci em Feminist Theory: from margin to center há mais de 10 anos. Minha esperança era de que então ela se tornasse uma definição comum que todo mundo usaria. Eu gostava dela porque não significava que os homens eram o inimigo. Denunciar o sexismo como o problema foi direto ao cerne da questão. Praticamente, é uma definição que indica que toda ação e pensamento sexistas são o problema, seja quem for que perpetue isto, mulher ou homem, criança ou adultæ. E é também ampla o bastante para incluir um entendimento de sexismo sistemático institucionalizado3. Como definição, é aberta. A compreensão do que é feminismo implica que a pessoa tem que necessariamente entender o que é sexismo. Como muitas ativistas a favor de políticas feministas sabem, muitas pessoas não entendem o que é o sexismo, ou se entendem, elas não pensam que seja um problema. Milhares de pessoas pensam que feminismo é sempre e somente sobre mulheres buscando ser iguais a homens. E uma grande maioria dessas pessoas acha que feminismo é anti-homem. O desconhecimento que elas têm sobre políticas feministas reflete a realidade de que muitas delas aprendem sobre feminismo nos meios patriarcais de comunicação de massa. O feminismo de que elas tanto ouvem é protagonizado por mulheres que estão primeiramente comprometidas com a igualdade de gênero – salários iguais para funções iguais, e algumas homens dividindo com as mulheres os cuidados da casa e das crianças. Elas vêem que aquelas mulheres são usualmente brancas e materialmente privilegiadas. Elas sabem, pela imprensa, que a liberação feminina focaliza a liberdade de fazer abortos, de ser lésbica, a reação ao estupro e à violência doméstica. Dentro dessas questões muitas pessoas concordam com a idéia de igualdade entre gêneros no local de trabalho – salários iguais para funções iguais. Como nossa sociedade continua a ser, antes de tudo, de uma cultura "cristã", milhares de pessoas continuam a acreditar que deus ordenou que as mulheres fossem subordinadas aos homens no trabalho doméstico. Mesmo que muitas mulheres tenham entrado no mercado de trabalho, mesmo que muitas famílias sejam chefiadas por mulheres que são as únicas provedoras, a visão de vida doméstica que continua a dominar o imaginário nacional é uma em que a lógica da dominação masculina está intacta, estando os homens presentes nos lares ou não. A noção distorcida sobre o movimento feminista que o entendeu como anti-homem trouxe consigo a assunção distorcida de que todos os espaços femininos seriam necessariamente ambientes em que o pensamento patriarcal e sexista estaria ausente. Muitas mulheres, mesmo aquelas envolvidas em políticas feministas, escolheram também acreditar nisto. Houve, de fato, uma grande porção de sentimento anti-homem entre as ativistas da primeira onda feminista que estavam respondendo com raiva à dominação masculina. Essa raiva ante a injustiça foi o impulso da criação de um movimento de libertação feminina. Nos primórdios do feminismo, muitas das ativistas (a maioria das quais era mulheres brancas) tiveram sua consciência despertada sobre a natureza da dominação masculina quando elas estava trabalhando em ambientes anti-classista e anti-racista com homens que estavam proclamando a importância da liberdade enquanto subordinavam mulheres em suas categorias. Não importando que fossem mulheres brancas lutando pelo socialismo, mulheres negras lutando pelos direitos civis e libertação negra, ou mulheres indígenas lutando por direitos indígenas, estava claro que os homens queriam liderar, e queriam que as mulheres os seguissem. A participação nessas lutas radicais pela liberdade acordou o espírito de rebelião e resistência das mulheres progressistas e as levou em direção à libertação feminina contemporânea.\\ Conforme o feminismo contemporâneo progrediu, conforme mulheres foram percebendo que os homens não eram o único grupo na sociedade que sustentava comportamento e pensamento sexistas – percebendo que mulheres podiam ser tão sexistas quanto eles –, o sentimento anti-homem não mais conformou a consciência do movimento. O foco mudou para um esforço geral em criar justiça de gênero. Mas mulheres não poderiam se unir a um outro feminismo sem confrontar nosso pensamento sexista. A sororidade não poderia ser poderosa enquanto as mulheres estivessem competitivamente em guerra umas contra as outras. Visões utópicas de uma sororidade baseada unicamente na consciência da realidade de que todas as mulheres estavam, de alguma maneira, vitimadas pela dominação masculina começaram a ser rompidas por discussões de classe e raça. Discussões sobre diferenças de classe aconteceram cedo no feminismo contemporâneo, precedendo discussões sobre raça. Diana Press publicou em sua coleção de ensaios Classe e Feminismo idéias revolucionárias sobre divisão de classe entre mulheres no início dos anos 70. Essas discussões não vulgarizaram a insistência feminista no mote de que "a irmandade é poderosa", elas simplesmente enfatizaram que só podíamos nos tornar irmãs na luta através da confrontação das maneiras que as mulheres – pelo sexo, classe e raça – dominavam e exploravam outras mulheres, e criaram uma plataforma política que dava lugar a essas diferenças. Mesmo que mulheres negras individualmente4 fossem ativas no movimento feminista contemporâneo desde seus primórdios, elas não foram os sujeitos que se tornaram "estrelas" do movimento, que atraíram a atenção dos meios de comunicação. Muitas vezes mulheres negras individualmente ativas no movimento feminista eram feministas revolucionárias (como muitas brancas lésbicas). Elas já estavam em divergência com feministas reformistas que terminantemente queriam projetar uma imagem do movimento como sendo somente sobre mulheres ganhando igualdade com homens no sistema existente. Mesmo antes que raça se tornasse uma questão debatida em círculos feministas estava claro para as mulheres negras (e para suas aliadas revolucionárias na luta) que elas nunca teriam igualdade dentro do patriarcado de supremacia branca capitalista existente. Desde seus movimentos iniciais o movimento feminista estava dividido. Pensadoras reformistas decidiram enfatizar a equiparação de gênero. pensadoras revolucionárias não queriam simplesmente alterar o sistema vigente para que as mulheres ganhassem mais direitos. Nós queríamos transformar esse sistema, trazer um fim ao patriarcado e ao sexismo. Como os meios de comunicação patriarcais não estavam interessados numa visão mais revolucionária ela nunca recebeu atenção na imprensa dominante. A imagem de "liberação feminina" que capturou e ainda conforma o imaginário público era aquela que representava as mulheres desejando o que os homens tinham. E essa foi a imagem mais fácil de realizar. Mudanças na economia nacional, depressão econômica, desemprego e coisas do tipo fizeram o clima oportuno para as pessoas desta nação aceitassem a noção de igualdade de gênero no mercado de trabalho Dada a realidade do racismo, fazia sentido que os homens brancos estivessem dispostos a considerar os direitos de mulheres quando a garantia de tais direitos pudesse servir aos interesses de manutenção da supremacia branca. Nós não podemos jamais esquecer que mulheres brancas começaram a declarar sua necessidade de liberdade depois dos direitos civis, justamente no momento em que a discriminação racial estava acabando e pessoas negras, especialmente homens negros, poderiam vir a conquistar igualdade com homens brancos no mercado de trabalho. O pensamento do feminismo reformista que enfatizou a equiparação com homens no mercado de trabalho ofuscou as fundações originais de radicalidade do feminismo contemporâneo que clamava por reformas bem como por pela reestruturação total da sociedade para que a nação fosse fundamentalmente anti-sexista. Muitas mulheres, especialmente brancas privilegiadas, pararam mesmo de considerar as visões feministas revolucionárias uma vez que começaram a ganhar poder econômico dentro da estrutura social existente. Ironicamente, o pensamento feminista revolucionário era mais aceito e acolhido nos círculos acadêmicos. Nesses círculos a produção de teoria feminista revolucionária progrediu, mas ela era freqüentemente inacessível ao público. Ela se tornou e permanece um discurso privilegiado disponível para aquelas entre nós que somos altamente escolarizadas, bem instruídas e usualmente privilegiadas materialmente. Trabalhos como "Feminist Theory: from margin to center", que oferecem uma visão libertadora da transformação feminista, nunca receberam atenção da imprensa dominante. Milhares de pessoas nunca ouviram falar desse livro. Elas não rejeitaram a mensagem que ele traz: elas nem sabem que mensagem é essa. Enquanto era interessante para o patriarcado de supremacia branca capitalista dominante apagar o pensamento feminista revolucionário que não era anti-homem nem voltado à garantia do direito de mulheres serem iguais a homens, feministas reformistas também ansiavam por silenciar sua força. Feministas reformistas começaram sua caminhada por mobilidade social. Elas podiam se libertar da dominação masculina no mercado de trabalho e ser mais autônomas em seus estilos de vida. Enquanto o sexismo não acabava, elas podiam maximizar sua liberdade dentro do sistema sexista. E elas poderiam contar com a existência de uma classe social mais baixa de mulheres exploradas para fazer o trabalho sujo que elas se recusavam a fazer. Pela aceitação e mesmo colaboração com a subordinação de mulheres operárias e pobres, elas não só se aliaram ao patriarcado existente e seu sexismo concomitante, mas se deram o direito de levar vidas duplas em que eram iguais aos homens quando no mercado de trabalho, e em casa quando quisessem ser. Se elas fossem lésbicas5 teriam o privilégio de ser iguais aos homens no mercado de trabalho enquanto usufruíam do poder de classe para criar estilos de vida doméstica em que podiam escolher ter pouco ou nenhum contato com homens. Feminismo como estilo de vida levou à noção de que poderia haver tantas versões de feminismo quanto houvesse mulheres. De repente, a política foi lentamente removida do feminismo. E a noção imperante foi de que não importa a perspectiva política de uma mulher, seja ela conservadora ou liberal, ela pode encaixar o feminismo em seu modo de vida. Obviamente tal noção fez o feminismo mais palatável porque traz dentro de si a idéia de que as mulheres podem ser feministas sem questionar e mudar fundamentalmente a si mesmas ou sua cultura. Por exemplo, vamos pegar a questão do aborto. Se o feminismo é um movimento para acabar com a opressão sexista, então uma pessoa não pode ser anti-escolha e ser feminista. Uma mulher pode ser veemente em dizer que nunca escolherá por fazer um aborto ao mesmo tempo em que afirma seu apoio ao direito que as mulheres têm de escolher abortar e ainda ser uma ativista de políticas feministas. Ela não pode ser anti-aborto e ser uma ativista feminista. Da mesma forma, não pode haver algo como "feminismo de poder" se a visão de poder evocada é poder conseguido graças à exploração e opressão de outras pessoas. As políticas feministas estão perdendo terreno porque o movimento feminista perdeu definições nítidas. Nós temos essas definições. Vamos retomá-las. Vamos compartilhá-las. Vamos começar de novo. vamos fazer camisetas e adesivos de pára-choque e cartões postais e hip-hop, comerciais de televisão e rádio, anúncios em todo lugar e em outdoor, e todo tipo de material impresso que fale para o mundo sobre feminismo. Nós podemos compartilhar a mensagem, simples mas poderosa, de que feminismo é um movimento pela eliminação da opressão sexista. Vamos começar com isto. Deixar o movimento recomeçar.
notas1- Tradução livre de Feminist Politics – where we stand, primeiro capítulo de Feminism is for everybody, bell hooks. publicado pela south end press, cambridge - ma, 2000.2-bell hooks é uma das autoras feministas negras que mais tem produzido trabalhos, artigos e livros sobre feminismo e educação de uma perspectiva de raça e radicalmente engajada com transformações sociais, culturais, políticas e íntimas.3- O patriarcado, como hooks indica na introdução do livro.4- no sentido de estarem agindo isoladamente, não organizadas em coletivos de mulheres negras.5- hooks usa "se elas escolhessem o lesbianismo" mas esse termo não parece condizente com as demandas de muitos movimentos de lesbiandade, homo e transexualidade que preferem "orientação sexual" à "escolha" ou "opção". acho que a autora tenta fazer, no próprio uso do termo usado, uma provável crítica à lesbiandade como escolha guiada pelo que é mais conveniente, confortável ou mesmo na moda, lesbiandade como comportamento ou estilo de vida. mas é difícil conciliar uma idéia de "conforto" com lesbiandade quando vivemos numa sociedade tão violentamente lesbofóbica. o próprio termo "estilo de vida" deve ser problematizado pela carga liberal y consumista que tem, quando evoca uma escolha que se faz entre tantas outras pelo que é mais aceitável socialmente, o que soa um pouco como campanha publicitária de cigarro. isso não ressoa muito uma orientação deliberada por determinado caminho ou modo de viver, se relacionar afetivo-sexualmente. bell hooks foi muito criticada, na década de 70, por ativistas lesbianas por publicar um livro sobre mulheres negras bastante heterocentrado, em que não abordou relações lesbianas. em outro capítulo de "feminismo é pra todo mundo", ela discute isso.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A política no Brasil é uma piada?

Boa dia amigos(as) do blog Serena Psicologia.
Hoje estou com uma inquietação especial, pois em período eleitoral sempre fico mais angustiada e descrente com a política do Brasil.
Há alguns dias tenho pesquisado sobre os candidatos para responder àquela pergunta natural: Em quem vou votar??
Confesso que estou com inúmeras dificuldades e chego a afirmar que a política no Brasil é realmente uma PIADA!!
A história legislativa deste país é realmente de assustar e o POVO, teoricamente detentor do poder, oferece de bandeja a direção de suas vidas a corruptos e desonestos. Pergunto-me: será que o povo brasileiro possui algum tipo de quadro demencial que os impede de lembrar do passada do candidatos? Ou será que são demasiado perversos que só pensam em benefício próprio, fazendo campanhas para candidatos que oferecem lotes, "esmolas"?
Não me ausento desta discussão, pois afinal de contas também sou o POVO. Incluo-me na categoria dos que até possuem algum entendimento sobre o bem estar coletivo e, no entanto, é omisso e não cobra dos políticos que elegeram o plano de gorverno prometido.
Façamos uma analise da campanha de Tiririca para Deputado Federal do estado de São Paulo/ 2010.

Fala 1
Tiririca: Quero ser deputado federal para ajudar os mais necessitados,
inclusive a MINHA FAMÍLIA. (configuraria nepotismo?)
Fala2
Tiririca: O que um Deputado Federeal faz? Na realidade eu não sei, mas
vote em mim que eu te conto. (você contrataria um médico que não sabe o que
um "médico" faz???)
Fala 3
Tiririca: Vote no Tiririca. Porque pior do
que está não fica. (A política já é uma piada! Será que devemos mantê-la neste
patamar??)

Vamos refletir...

  1. Ainda é tempo de escolher candidatos comprometidos, de fazer uma revolução na política brasileira. Sejamos mais conscientes!
  2. Denunciem irregularidades, pois morando no planalto central certamente já ouvimos pelo menos uma ou duas histórias de favorecimentos pessoais oferecidos por políticos.
  3. Não votem nos ficha suja! Perdoar é divino, mas apoiar quem nunca teve intenção de mudar é totalmente diferente.

Eu quero um Brasil diferente! E vocês???

Sofia Lisboa - Psicóloga da Clínica Serena de Psicologia

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Convite

Bom dia amigos (as) Serenos (as)!

É com satisfação que convidamo-lhes para o lançamento do Livro: "Gênero e Feminismo: convergências (in) disciplinares", que ocorrerá no restaurante Carpe Diem (104 Sul) - Brasília, às 19h do próximo dia 20. As organizadores deste trabalho fizeram um excelente trabalho e vale a pena conferir.
Aguardo vocês lá.

Forte abraço,
Sofia Lisboa
Psicóloga - Clínica Serena de Psicologia

sábado, 7 de agosto de 2010

Psiquê Magra


Boa Tarde a todos!

Para aqueles que já fizeram várias dietas e voltaram a engordar,no dia 12/08, quinta-feira, iniciaremos um novo grupo do Psiquê Magra, trabalho que participo e tenho o maior orgulho.

È um trabalho conjunto com a Dra. Ana Flávia Máximo - nutricionista (maravilhosa!!!) e que utiliza princípios de reestruturação cognitiva (pensar como magro), psicoeducação e dicas de uma alimentação saudável.

Ainda temos vagas! Vale a Pena!

3346-7118

Psiquê Magra: uma maneira diferente de ver a comida.

Um forte abraço,

Luciana Brasil

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Anfetaminas


Bom dia amigos do blog Serena Psicologia!

Quem nunca sonhou em se livrar de indesejáveis gordurinhas de forma indolor e sem sacrifício?
Percebe-se que muitas pessoas, insatisfeitas com seu corpo e na busca por resultados imediatos, recorrem a cirurgias plásticas e/ou tratamentos medicamentosos. Sendo assim, o uso de Anfetaminas, drogas sintéticas produzidas em laboratório, é um exemplo perigoso do tipo de alternativa “fácil” procurada na busca pela redução de peso. Por isso, considerando-a as anfetaminas como DROGAS, que geram tolerância e dependência química, listarei aqui suas propriedades, efeitos e conseqüências sobre o organismo.

As Anfetaminas são freqüentemente utilizadas por pessoas que querem reduzir o peso ou por indivíduos que querem permanecer acordados. Um exemplo clássico de uso dessa droga estimulante foi o dos soldados da Segunda Grande Guerra, em que eram administradas anfetaminas aos combatentes com o propósito de mantê-los acordados por mais tempo, com menos cansaço, sede ou fome e com maior força física e agressividade.

Para efeito de comparação, as anfetaminas incluem-se no grupo de drogas estimulantes, tais como: cocaína, crack e merla. Drogas essas com efeitos nocivos, capazes de modificar e alterar o comportamento do indivíduo, interferindo diretamente no Sistema Nervoso Central (SNC). E, apesar de as anfetaminas não serem vistas pela sociedade com tanto preconceito como o crack, por exemplo, produzem efeitos físicos que são tão prejudiciais quanto os gerados por qualquer outra droga.

Listaremos aqui alguns efeitos físicos que não são poucos e muito menos brandos:

• estados de alerta exagerado
• insônia
• hiperatividade
• falta de apetite
• sensações aumentadas ou distorcidas
• pupilas dilatadas
• rubor
• agitação
• boca seca
• disfunção erétil
• dor de cabeça
• taquicardia
• batimento cardíaco elevado
• aumento da pressão sanguínea
• febre
• suor
• diarréia
• constipação
• visão turva
• fala prejudicada
• tontura
• movimentos incontrolados
• tremor
• palpitações
• arritmia


Além desses efeitos listados acima, ao utilizá-la o indivíduo é capaz de fazer várias tarefas ao mesmo tempo, entretanto, não consegue concentrar-se em NENHUMA.
Seu uso exagerado, crônico e continuado pode gerar alucinações, estados de paranóia, convulsões, pele seca, acne, palidez, ataques cardíacos e degeneração de determinadas células do cérebro.

O uso dessa substância psicoativa pode gerar uma necessidade física ou psicológica de uso continuado - DEPENDÊNCIA QUÍMICA – e necessidade de doses cada vez maiores para obtenção do mesmo resultado – TOLERÂNCIA. Essa necessidade psicológica gerada advém do desejo de satisfação imediata em que, ao se perceber o “reforço positivo” / os resultados (o emagrecimento, por exemplo), ativa-se o “circuito de recompensa” do cérebro, mantendo dessa maneira o desejo pela droga em um ciclo compulsivo.

Não tão fácil de se livrar da dependência de uso das anfetaminas, o indivíduo ao perceber as conseqüências negativas e caso deseje reduzir ou interromper o uso sofrerá com SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA, tais como: ansiedade, depressão, agitação, fadiga, sono excessivo, momentos de compulsão pela droga, apetite aumentado, psicose (que pode permanecer por até um ano) e pensamentos suicidas.
Sintomas esses que variam conforme as condições clínicas do indivíduo, tempo de uso, quantidade ingerida e história de abstinências anteriores.

Agora, pense um pouco, depois de conhecer as propriedades e reais conseqüências do uso das anfetaminas, você ainda quer utilizá-la?? Será que vale o risco ter alguns quilos a menos??

Forte Abraço,
Sofia Lisboa
Psicóloga Clínica Serena de Psicologia

domingo, 1 de agosto de 2010

Cirurgia Bariátrica


http://www.youtube.com/watch?v=DNbDSZElW0M

Oi pessoal,
A nossa preocupação é asaude mental, mas em alguns casos isso envolve
também a saude física, sendo assim temos em nossa clínica tratamento
para obesidade.
Um dos obstáculos ao emagrecimento é o metabolismo lento!
Vamos entender um pouquinho sobre ele na matéria abaixo.
Bjins,
Elis Regina

Entendendo o metabolismo

Fonte: Cyberdiet

http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/040614_nut_metabolismo.htm


Muito se ouve falar em metabolismo, como: “eu engordo porque meu
metabolismo é lento” ou “meu metabolismo não trabalha da forma que
deveria”, então decidimos esclarecer um pouco sobre o tão comentado
metabolismo e também sobre o efeito platô, estado em que o organismo
se adapta a uma restrição energética.

Como definição, o metabolismo é o conjunto de reações químicas
responsáveis pelos processos de síntese e degradação dos nutrientes na
célula. O metabolismo pode estar em estado anabólico, que é a síntese,
ou seja, formação de compostos ou pode estar em catabolismo, onde há
degradação, ou “quebra” de compostos. No emagrecimento, o organismo
está em catabolismo.

O organismo gasta uma quantidade de calorias simplesmente para manter
suas funções vitais quando se está em repouso como respiração e
funcionamento cardiovascular, por exemplo, esse
valor refere-se à taxa de metabolismo basal. Para identificar quantas
calorias são gastas em um dia é necessário incluir alguns fatores como
peso (quem pesa mais possui necessidade calórica maior), idade (com o
avanço da idade o metabolismo diminui), sexo (os homens possuem mais
massa muscular e por isso o metabolismo é mais acelerado) e nível de
atividade física (a atividade física aumenta o metabolismo) que
influenciam o gasto energético do organismo.

Você sabe o que é Efeito Platô ou metabolismo lento?

Dessa maneira sabe-se que cada pessoa possui um gasto diferente e
precisa de energia de forma diferente para se alcançar o objetivo
necessário, seja ele emagrecimento, ganho de peso ou simplesmente para
manutenção do peso atual. O músculo também influencia o gasto
energético, já que esse tecido é metabolicamente ativo e, quanto mais
massa muscular está presente no corpo, maior será o gasto calórico.
Naturalmente, os homens possuem um gasto calórico maior do que as
mulheres já que eles apresentam uma maior quantidade de massa muscular
e menor quantidade de gordura corpórea comparado com as mulheres.

Assim, cada indivíduo possui o metabolismo de uma forma, mais lento ou
mais acelerado. Com o emagrecimento, há uma diminuição na ingestão
energética e, com isso, após um tempo o organismo se acostuma a essa
restrição, requerendo menos energia para suas funções vitais e o
metabolismo diminui, se adaptando a tal restrição.

Esse é o chamado Efeito Platô. Nestas situações, deve-se diminuir
ainda mais as calorias consumidas e aumentar a atividade física para
que o metabolismo faça com que haja um gasto calórico a mais e, assim,
o corpo continua com a eliminação de peso.

Outra alternativa é aumentar as calorias consumidas por um ou dois
meses e em seguida diminuir novamente a ingestão calórica, para que o
organismo não esteja adaptado à restrição calórica e ocorra o
emagrecimento.